2000 A crise do PDT enquanto projeto histórico

A crise do PDT enquanto projeto Histórico

Índice e resumos

Os arautos do apocalipse do trabalhismo.

A esmagadora maioria dos que hoje questionam a viabilidade do trabalhismo mantiveram-se calados todos esses anos nas instâncias partidárias.
Esta falta de questionamento, movida desde o oportunismo até a subserviência, passando por alpinismo partidário, carreirismo e projetos políticos pessoais contribuíram para aprofundar vários desvios que levaram nosso partido ao “fundo do poço” em 94 e a direção histórica iniciar um processo de autocrítica.
Trombetear o fim ou a crise do trabalhismo pela imprensa, fora das instâncias partidárias é se posicionar sem um processo de reflexão partidária e coletiva que se paute pelos princípios e valores de nosso projeto histórico.

Um resumo quantitativo das eleições municipais de 2000.

No primeiro turno das eleições, o PT e o PFL foram os partidos que mais cresceram em relação às eleições municipais de 96. Porém, todos os grandes partidos cresceram ou mantiveram seus votos.
Os números mostram que as oposições têm que ter cautela ao comemorar os resultados. Se estas fossem eleições presidenciais e reproduzissem as articulações de 98, a oposição atingiria cerca de 33% dos votos sendo mais uma vez derrotada pelo neoliberalismo. Por outro lado, o repúdio à violência e à corrupção do neoliberalismo de FHC nos grandes centros urbanos e metrópoles demonstrou uma clara tendência oposicionista e grandes possibilidades de crescimento da esquerda nos próximos anos.

As perspectivas com o resultado das eleições.

Nos próximos anos três grandes propostas se enfrentarão. A primeira delas é o neocolonialismo que caracteriza o governo FHC.
A segunda proposta é a “onda rosa”. Uma esquerda que opta por se “credenciar“ como oposição eleitoral perante aos investidores internacionais propondo uma ampla coligação que inclui a burguesia e, por extensão, conta com as simpatias da imprensa.
A alternativa a estes dois posicionamentos é a organização de uma alternativa popular que aponte a necessidade de um projeto nacional que altere o sistema de poder, realize reformas de base estruturais, verdadeiramente transformadoras da sociedade, e reverta as “reformas” neoliberais. Uma unidade popular construída nas lutas de massas pelas reformas de base e não condicionada por prazos ou atos eleitorais retomando o fio da história de nosso povo.

Perspectivas políticas do trabalhismo.

A crise que o PDT vive hoje é fruto da contradição entre um partido que inicia um processo de retomada de seu projeto histórico a partir da derrota eleitoral de 94 e setores que insistem em manter as mesmas práticas e formas de fazer política e aqueles que não vêem estas mudanças como um processo histórico.
Todos estes setores afirmam que existe um processo de crise irreversível do trabalhismo. A análise objetiva dos números prova que o PDT reduziu suas bancadas e quantidade de prefeitos devido a expulsões ou rearranjos partidários fundamentalmente em função da inflexão da prática partidária que se inicia em 94.
Diminuímos por retomarmos a coerência com nosso projeto histórico e hoje a única ameaça à continuidade da retomada do projeto histórico de Lisboa é a proposta de fusão do PDT com a escória que acabou com a tradição do PTB.

O PDT que não perdeu a capacidade de lutar pelos sonhos.

O PDT, continuando este processo de retomada de nosso projeto histórico, poderá ocupar o espaço de esquerda popular no espectro político. Um partido que absorva a liderança de Brizola e sobreviva à sua existência política como continuação de seus ideais e carisma e que contribuirá efetivamente para a construção do caminho brasileiro para o socialismo.
Um PDT que não seja “amplo” para não perder a radicalidade necessária para a conquista das reformas de base e que não assuma um radicalismo que coloque a retórica ou as doutrinas acima da experiência histórica de nosso povo.
Nossa coerência nas lutas de massas pode transformar o PDT no refúgio natural daqueles lutadores e lutadoras sociais sem partido que acreditam que lutar é um destino, e “uma ponte entre a descrença e a certeza de um mundo novo”. Muitos podem achar que isto é uma utopia, um sonho ... É lastimável que tenham perdido a capacidade de sonhar e lutar pelos seus sonhos...



Os arautos do apocalipse do trabalhismo.
A começar pelo governador do Estado do Rio de Janeiro, está aberta, mais uma vez, a temporada dos arautos do apocalipse do trabalhismo.
Na Vênus platinada, Garotinho afirmou ser o PDT “um partido de muito passado, pouco presente e nenhum futuro”. Por motivos diferenciados, dissidentes do PDT gaúcho também afirmam “que o trabalhismo já cumpriu o seu papel histórico” e outros afirmam ser necessário uma fusão com o P”T”B para “salvar o combalido trabalhismo”.
Existe uma massa de militantes, dirigentes e simpatizantes de nossa causa em todo o país que assistem perplexos ao desenrolar desta discussão. Têm de estar bem atentos para que não se deixem levar pelos discursos e argumentos superficiais que escondem a realidade por trás das neblinas do pragmatismo carreirista e carguista dos projetos pessoais e eleitoreiros e dos esquemas políticos mafiosos que existem na política eleitoral brasileira.
Por trás da discussão do novo contra o velho, da renovação contra a continuidade, do questionamento da democracia interna e das práticas de direção política estão questões muito mais complexas. As respostas não se resumem a definirmos quem são os líderes e chefes ou quem será o “dono” do PDT.
A esmagadora maioria dos que hoje questionam a viabilidade do trabalhismo mantiveram-se calados todos esses anos nas instâncias partidárias. Nos mais de vinte anos de existência do PDT apenas uma ínfima minoria de militantes questionou nas instâncias partidárias a falta de democracia interna, a burocracia, o cartorialismo, o eleitoralismo, a falta de planejamento e o afastamento das lutas populares e dos movimentos sociais organizados, além de tantos outros aspectos que poderiam ser abordados que rompem com o que propusemos há mais de vinte anos em Lisboa.
A esta falta de questionamento, movida desde o oportunismo até a subserviência, passando por alpinismo partidário, carreirismo e projetos políticos pessoais, somou-se o equívoco de militantes e dirigentes que transformaram a liderança de Brizola em um ícone de decisões inquestionáveis. Assim, muitos companheiros, equivocadamente, acusaram Brizola de ser o único responsável pelos desvios de nosso projeto e abandonaram a luta partidária.
Todos estes motivos contribuíram para o aprofundamento destes desvios e levaram nosso partido ao “fundo do poço” em 94. Naquelas eleições não conseguimos consolidar o partido expressivamente fora do eixo Rio de Janeiro – Rio Grande Sul e assistimos ao enfraquecimento político dessas seções e ainda a diminuição de nossa bancada federal o que levou a um processo de autocrítica da direção histórica do partido.
Trombetear o fim ou a crise do trabalhismo pela imprensa, fora das instâncias partidárias, sem uma reflexão sobre qual é o caminho que o PDT deve seguir, para onde vamos, qual o nosso compromisso com as lutas e reivindicações de nosso povo, é se deixar levar pelas aparências e se posicionar sem um processo de reflexão partidária e coletiva que se paute pelos princípios e valores de nosso projeto histórico.
Este texto pretende seguir outro caminho, partindo da análise dos “números” do primeiro turno das eleições municipais de 2000 e passando pelas perspectivas da esquerda, culmina na reflexão sobre as perspectivas políticas do trabalhismo e em propostas para a discussão dentro das instâncias partidárias.

Um resumo quantitativo das eleições municipais de 2000
No primeiro turno das eleições, o PT e o PFL foram os partidos que mais cresceram em relação às eleições municipais de 96. Porém, todos os grandes partidos cresceram ou mantiveram seus votos.
O neoliberalismo representado pelo PSDB e pelos partidos de sustentação do governo FHC (PFL, PMDB, PPB, PTB) obteve cerca de 62% dos votos, sendo que o PFL conseguiu enraizar-se nos grandes centros urbanos.

A oposição, somado os votos do PT, PDT, PSB, PC do B e PSTU, obteve cerca de 25% dos votos, sendo que o PT nas 57 maiores cidades, incluindo aí as 21 capitais, com mais de 200 mil habitantes e que concentram 33% do eleitorado nacional, atingiu mais de 7 milhões de votos e disputa o segundo turno em 16 destas cidades.

O PT aumentou em 1,4 milhões de votos em relação a sua votação de 96. PDT e PSB praticamente mantiveram suas votações em relação a 96 e a 98. O PDT aumentou o número de vereadores, passando dos atuais 2150 vereadores para 3756, um crescimento de 74%. Quanto às prefeituras o crescimento foi de 25%, passando das atuais 229 prefeituras para 287, sendo que em 1996 havíamos eleito 435 prefeitos. É importante frisar que o PDT mantendo sua votação de 96 e 98 supera os 5% em nove estados da federação, caso seja aprovada a cláusula de barreira na reforma política a ser votada pelo Congresso Nacional para as eleições de 2002.
Estes números mostram que as oposições têm que ter cautela ao comemorar os resultados. Se estas fossem eleições presidenciais e reproduzissem as articulações de 98, a oposição formada pelo PT,PDT,PSB, PC do B, conseguindo o apoio do PPS, do PL e do PV, atingiria cerca de 33% dos votos sendo mais uma vez derrotada pelo neoliberalismo.
Por outro lado, o repúdio à violência e à corrupção do neoliberalismo de FHC nos grandes centros urbanos e metrópoles demonstrou uma clara tendência oposicionista e grandes possibilidades de crescimento da esquerda nos próximos anos.


As perspectivas com o resultado das eleições.
Nos próximos anos três grandes propostas se enfrentarão.
A primeira delas é o neocolonialismo que caracteriza o governo FHC e a ação política de seus partidos - PSDB, PMDB, PFL, PTB e PPB - e que foi vitorioso nas últimas eleições municipais. A continuação deste modelo levará ao aprofundamento da desnacionalização das empresas brasileiras privadas e públicas, ao aprofundamento da dívida externa e a perda de controle sobre a nossa moeda, a “flexibilização” dos direitos trabalhistas e previdenciários e, por fim, através do parlamentarismo, à redução da participação popular e influência do povo sobre os centro do poder.
A segunda proposta é aquela que saiu vitoriosa eleitoralmente no campo da esquerda. É a “onda rosa do PT”, que se confunde com a proposta de “novo trabalhismo” de Garotinho e a “nova esquerda” de Ciro Gomes indo até dissidentes do PSDB, passando por setores do PSB, da FIESP, da CUT, da Social Democracia Sindical e da Força Sindical. Uma proposta que pede alterações na política econômica: juros mais baixos, menor obsessão com a estabilidade monetária e a adoção de certas políticas sociais.
Uma oposição mais preocupada em “governar” os municípios através de políticas compensatórias para aliviar as conseqüências da pobreza (bolsa-escola, cheques cidadão, renda mínima etc) do que em lutar para reverter as “reformas” já feitas pelo neoliberalismo e que produzem cada vez mais pobrezas material e política.
Uma esquerda que opta por se “credenciar“ como oposição eleitoral perante aos investidores internacionais em 2002 e propõe uma ampla coligação que inclui a burguesia e, por extensão, conta com as simpatias da imprensa. Para estes setores, a crise brasileira é, antes de tudo, uma crise de Estado. Não percebem que a crise por que passa o nosso país é uma crise strutural e, por isso, quando se buscam soluções não estruturais, o resultado é a geração de mais crise.
É uma oposição que defende uma esquerda apenas oposicionista, limitando-se ao papel de abnegada vigilante da moralidade e dos valores republicanos. Esta oposição pode vir a se transformar em uma alternativa para a sobrevivência do sistema, como ocorreu na Argentina e em outros países.
A alternativa a estes dois posicionamentos é a organização de uma alternativa popular que aponte a necessidade de um projeto nacional que altere o sistema de poder, realize reformas de base estruturais, verdadeiramente transformadoras da sociedade, e reverta as “reformas” neoliberais.
Surge assim a última proposta: uma esquerda que defenda um projeto nacional e popular que não se limite a propor alterações nas políticas de governo, mas que aponte, através das lutas populares, que nosso atraso, nossa dependência de capitais estrangeiros e nossa pobreza decorrem de causas estruturais.
Para isso, será necessário rever, no processo de construção de uma frente de esquerda, todo um conjunto de valores e práticas onde o que impera são o oportunismo pessoal e político e o os grupos de interesse. Uma unidade popular construída nas lutas de massas pelas reformas de base e não condicionada por prazos ou atos eleitorais.
Um processo social e político que aponte para a construção de um poder popular e de uma sociedade socialista em nosso país. Esse é o grande desafio desta alternativa de esquerda em nosso país: retomar o fio da história de nosso povo.

Perspectivas políticas do trabalhismo
A experiência histórica de nosso povo demonstrou que a conquista do poder inclui, mas não se limita à luta eleitoral. O velho PTB, mesmo com muitas das limitações que o caracterizaram, foi um partido popular e vanguarda objetiva das lutas de massas de nosso povo trabalhador, conseguindo iniciar na década de 60 o processo histórico de construção da unidade popular.
Estas experiências foram tão significativas que o imperialismo e nossa classe dominante, percebendo o perigo para a manutenção de sua dominação e exploração, deram um golpe e pela força das armas impediram a continuidade do processo de superação da democracia formal representativa por uma democracia direta e de intensa participação popular.
Em 1979, ao refundarmos o trabalhismo em Lisboa, nosso objetivo era retomar este fio da história das lutas de massas de nosso povo. Porém, este desafio resumiu-se às tentativas de elegermos o companheiro Brizola Presidente da República e nosso partido deixou de fazer história passando apenas a cultivá-la.
Esta realidade aflorou como crise nas eleições de 94. Como resultado desta, surge uma “nova” geração trabalhista que defendia um alinhamento explícito com a política neoliberal. A direção histórica do partido enfrenta esses setores e os expulsa. Toda essa “nova” geração de lideranças “trabalhistas” – Marcelo Alencar, Lerner, Dante e outros - caminha para os partidos de sustentação ao governo neoliberal de FHC.
A partir daí a direção histórica do partido inicia um processo de autocrítica. Brizola, em vários pronunciamentos nas instâncias partidárias, afirma que o partido aburguesou-se. Ressalta que o papel histórico do trabalhismo é se afirmar como uma organização política identificada com os excluídos. Destaca que não podemos nos deixar seduzir por ilusões eleitorais de uma democracia determinada por interesses econômicos e que, para sofrer transformações, terá de ser movida pela pressão das lutas e das mobilizações do povo trabalhador.
Brizola torna-se o principal articulador da frente de oposições abrindo mão de uma candidatura a presidente e indo à Convenção Nacional do PT, defende a unidade dos partidos de esquerda. À perda de deputados, prefeitos, vereadores que ocorreu com a expulsão da “nova” geração “trabalhista” se soma a de deputados, prefeitos e vereadores contrários à formação da unidade dos partidos de esquerda. Só no Rio Grande do Sul, Paraná e MatoGrosso foram expulsos ou se desfiliaram aproximadamente uma centena de prefeitos.
Consolidada a Frente Popular em 98, Lula, tendo como vice Brizola, recebe a maior quantidade de votos de todas as eleições presidenciais de que participou. Após as eleições, Brizola crítica duramente a conversa reservada de Lula com FHC, em 1999, à revelia da frente e propõe uma campanha pela renúncia do presidente da República, que, por denúncias de corrupção associada ao aumento do desemprego, registra o pior índice de popularidade de seus mandatos.
A corrente hegemônica do PT se nega a iniciar um processo de luta de massas contra a corrupção e as políticas neoliberais do governo FHC, preocupada em credenciar-se como oposição eleitoral confiável, o que leva a um desgaste com suas correntes mais a esquerda, com o MST e com setores da CUT que defendiam o FORA FHC e com o PDT. Em nosso partido os partidários do “novo trabalhismo” recusam-se a encaminhar a campanha pela renúncia considerando-a, mais uma das “loucuras” do “caudilho”.
Estes fatos somados à prática hegemonista eleitoreira do PT nas articulações para as eleições municipais de 2000 que questionam ou apoiam publicamente posicionamentos de correntes internas do PDT e que aceitam apenas o apoio do PDT e se recusam a apoiar candidaturas fortes do partido nas capitais como é o caso de São Luís, começam a comprometer a continuidade da frente e vão determinar, conjuntamente com o confronto da direção histórica do partido com o projeto evangélico-eleitoreiro do “novo trabalhismo” de Garotinho, a atual crise política do partido.
A crise que o PDT vive hoje é fruto da contradição entre um partido que inicia um processo de retomada de seu projeto histórico a partir da derrota eleitoral de 94 – mudanças no estatuto que privilegiam o trabalho na base, planejamento das atividades partidárias, fortalecimento de atividades de capacitação política de militantes e investimento na definição de um modo pedetista de governar e legislar e na capacitação dos candidatos a prefeitos e vereadores –setores que insistem em manter as mesmas práticas e formas de fazer política e aqueles que não vêem estas mudanças como um processo histórico.
As mudanças que apontam para a retomada do projeto de Lisboa, que se iniciou a partir da processo de autocrítica da direção histórica do partido, têm de ser vistas não como um momento, mas como parte de um processo histórico longo que tem avanços, recuos, alguns espasmos, podendo até mesmo se desvirtuar. Os casos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul são emblemáticos.
No Rio de Janeiro, Garotinho, uma liderança forjada nas práticas anteriores a 94, e setores que sempre sobreviveram às custas da ocupação de espaços importantes das administrações de Brizola, deixam-se levar pelo canto da sereia das eleições presidenciais de 2002. Assumem o projeto de reproduzir, substituindo a candidatura Brizola pela candidatura de Garotinho e o projeto histórico do PDT pela terceira via - uma mistura de socialdemocracia e neoliberalismo - às mesmas táticas equivocadas que subordinaram a realização de nosso projeto histórico exclusivamente às eleições presidenciais.
Nas eleições municipais do Rio, que concentra quase a metade dos eleitores do estado, o “novo trabalhismo” de Garotinho opta por, oportunisticamente, utilizando-se de um discurso de manutenção da frente de esquerdas de 98, impor como candidata a prefeitura a vice-governadora petista Benedita. Esta, umbilicalmente ligada ao projeto evangélico-eleitoreiro de Garotinho teve sua vitória nas prévias petistas, de acordo com setores de esquerda do PT, influenciada pelo envolvimento de seus assessores diretos com os “projetos“ de distribuição de cheques cidadão do Governo do Estado e o apoio financeiro e político de Garotinho.
No Rio Grande do Sul, setores do partido profundamente identificados com o processo político anterior a 94, derrotados na luta pela formação da Frente Popular em 98 e sem expressão na direção partidária local, direção esta que defende a manutenção da aliança política com o PT, ganham a prévia para escolher o candidato a prefeito em Porto Alegre por uma diferença insignificante de votos.
A partir daí, através da candidatura Collares, imprimem uma campanha de oposição pela direita a administração do PT e utilizam a campanha para tentar recuperar o espaço partidário que haviam perdido. Isto gera uma crise que faz com que trabalhistas históricos deixem o partido e apoiem, equivocadamente, a candidatura do PT.
Curiosamente, todos estes setores afirmam que existe um processo de crise irreversível do trabalhismo.
O “PDT” do G acusa Brizola de ser “dono” do PDT e defende a troca por um “dono” com chances eleitorais de chegar à presidência da república, não importando os meios para isso e defendendo um “novo” trabalhismo à direita da “onda rosa” petista.
No Rio Grande do Sul, o PDT “pela direita” de Collares, defende que nosso inimigo central é o PT e não o neoliberalismo. Propõe uma fusão com o P”T”B como forma de disputar o controle da máquina partidária e acusando o partido de omissão em sua campanha afirma que, após as eleições, pode se filiar ao PTB.
Por último, a dissidência gaúcha à esquerda que, não conseguindo ver a mudança partidária como um processo histórico e nacional, entende-se derrotada em um processo eleitoral municipal e, a partir daí, acredita que o trabalhismo já cumpriu o seu papel e que está com seu projeto histórico visceralmente comprometido.
Todos partem do pressuposto que o resultado eleitoral destas eleições municipais demonstram que o PDT vem paulatinamente reduzindo seu tamanho eleitoral desde 1989. Porém a análise objetiva dos números prova que o PDT reduziu suas bancadas e quantidade de prefeitos devido a expulsões ou rearranjos partidários fundamentalmente em função da inflexão da prática partidária que se inicia em 94.
Diminuímos por retomarmos a coerência com nosso projeto histórico, o que acreditamos contribuiu para o crescimento em 74% do número de vereadores pedetistas em todo o país. A saída de Garotinho do PDT, mesmo acreditando que esta “liderança” poderia levar a totalidade dos prefeitos eleitos em seu estado, diminuiria em torno de apenas 10% a votação recebida e o PDT continuaria superando a cláusula de barreira.
Hoje a única ameaça à continuidade da retomada do projeto histórico de Lisboa é a proposta de fusão do PDT com a escória que acabou com a tradição do PTB, transformando-o em uma sublegenda do oportunismo, do neoliberalismo e do que existe de pior e mais grotesco na política brasileira.

O PDT que não perdeu a capacidade de lutar pelos sonhos
O PDT, continuando este processo de retomada de nosso projeto histórico, poderá ocupar o espaço de esquerda popular no espectro político que a corrente que hoje hegemoniza o PT deixou vazio.
Ao retomarmos os valores, a prática e o pensamento dos lutadores e lutadoras sociais que fundaram nosso partido em Lisboa, consolidaremos um partido de massas, democrático e popular que contribuirá efetivamente para a construção do caminho brasileiro para o socialismo. Um partido que absorva a liderança de Brizola e sobreviva à sua existência política como continuação de seus ideais e carisma.
Um PDT à altura de companheiros como: Benedito Cerqueira, Darcy Ribeiro, Doutel de Andrade, Francisco Julião, Tapir Rocha, Luís Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Adão Pereira Nunes, Edmundo Moniz e tantos outros companheiros e companheiras que nunca perderam a capacidade de sonhar com a construção de uma pátria livre, soberana e socialista.
Um PDT que não esteja centrado nas disputas eleitorais, na organização de grupos de interesse para luta interna e em realização de reuniões ou encontros em que se debatam apenas palavras de ordem. Um PDT que não seja “amplo” para não perder a radicalidade necessária para a conquista das reformas de base e nem ser utilizado como legenda e se esvaziar após as eleições. Um PDT que não assuma um radicalismo que coloque a retórica ou as doutrinas acima da experiência histórica de nosso povo.
Um PDT que rompa com o moto perpétuo das lutas internas, onde a luta interna de hoje é filha da luta interna de ontem e prepara a luta interna de amanhã. Um PDT que seja um meio e não um fim em si mesmo. Um PDT com dirigentes e militantes identificados com a retomada do fio da história de lutas de nosso povo, que valorizem o trabalho de base e que respeitem a dignidade da militância.
Para construir este PDT, precisamos estimular a capacidade criativa de nossos militantes construindo coletivamente as condições para implementarmos a nossa organização e participação nas lutas de massas. Para isso precisamos:

1. Organizar em 2001 um grande Congresso Nacional para discutirmos os rumos de nosso partido e nossa metodologia de trabalho popular.
2. Realizar encontros estaduais e nas 200 maiores cidades para discutirmos os encaminhamentos para as deliberações tomadas no Congresso Nacional.
3. Desenvolver um trabalho de base junto aos setores excluídos (a juventude, as mulheres, os negros, os desempregados) e junto aos setores incluídos (estudantes, sindicalistas, ONG’s)
4. Ampliar as atividades de capacitação política com ênfase na história e no projeto histórico do trabalhismo como caminho brasileiro para o socialismo.
5. Criar um jornal partidário com participação das direções estaduais e dos militantes ligados à imprensa e à cultura.
6. Participar ativamente das iniciativas que apontem para a construção de um projeto popular para o Brasil.
7. Planejar e executar ações de solidariedade com o povo em luta elevando a consciência política de nossos quadros.
8. Preparar junto às demais forças sociais e políticas um calendário de lutas para o ano de 2001.

O desafio mais importante a destacar é intensificar a organização de núcleos de base que reúnam militantes e simpatizantes de um mesmo local de moradia, trabalho, estudo ou área de atuação. Formar uma rede de núcleos espalhada por todo o Brasil agindo coletivamente e em torno de nosso projeto histórico. Existe hoje uma enorme quantidade de brasileiros desesperançados com os partidos políticos: são os lutadores e lutadoras sociais sem partido. Nossa coerência nas lutas de massas pode transformar o PDT no refúgio natural daqueles que acreditam que lutar é um destino, e “uma ponte entre a descrença e a certeza de um mundo novo”.
Muitos podem achar que isto é uma utopia, um sonho ... É lastimável que tenham perdido a capacidade de sonhar e lutar pelos seus sonhos... Nós devemos seguir sonhando, lutando e não perdendo a capacidade de ser realista e desejar o impossível: um país livre e soberano e socialista para os filhos e os netos de todos o que amam esta pátria chamada Brasil.

Ousar sonhar ! Ousar Lutar ! Ousar Vencer !
Viva o Trabalhismo como caminho brasileiro para o Socialismo !
Pátria livre, venceremos !

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