Fio da História

“Por que tem sido de empobrecimento, de marginalismo, de degradação física e cultural, a vida dos povos latino-americanos? Quais as causas do drama da América Latina? Corresponde à tragédia social do nosso Continente a um determinismo, a uma fatalidade histórica, a uma condenação contra a qual nada conseguimos ou poderemos fazer? Se decorre do fato de sermos todos nós nações jovens – nação jovem não é os Estados Unidos? Devemos a proletarização crescente da nossa América ao clima? A nossa composição racial? (...).
Ou “não convém”, ou “não vale a pena” cogitar das causas e origens dos nossos males? Quem sabe se não é melhor passar, desde logo, à terapêutica, como preconizam os grupos e classes dirigentes da própria América Latina? Essas classes dominantes prescrevem a nossa entrega total aos “milagres” da livre empresa, do capitalismo, ao poder mágico que emana dos trustes e das corporações estrangeiras. Para tais grupos e classes a solução está em franquearmos nossas riquezas à exploração do capital estrangeiro, ao seu domínio, confiando-lhes o controle dos setores fundamentais das nossas economias (...).
E por que, tendo adotado [tal] doutrina não [conseguimos] o desenvolvimento? Por que – persiste a pergunta – não nos alçamos ao nível dos países desenvolvidos? E por que, politicamente, não conseguimos sistemas institucionais que nos conduzam ao desenvolvimento? Essa é a questão crucial. Esta é a pergunta que queima nossas consciências. Esta é a questão que desafia a nossa geração. Aceitamos o desafio. Incluo-me entre os que consideram que estamos submetidos a uma execrável injustiça. A insubmissão a essa injustiça é uma reação isenta de colorido ideológico – é reação de patriota, de cidadão e de ser humano que não se conforma com as agressões a sua dignidade e a sua própria existência.
Podem as classes dirigentes, através de seus formuladores e teorias, compor, rendilhar, articular as doutrinas que quiserem. Não nos conseguirão mais enganar. Sabemos hoje que nós, latino-americanos, somos vítimas de um tremendo processo de descapitalização. Nossas riquezas estão sendo succionadas, drenadas para fora dos nossos países. Há uma transferência contínua e crescente de nossas rendas nacionais e os frutos do nosso trabalho para outras áreas onde estão instalados os controles remotos de nossas economias. O trabalho dos nossos povos é dilapidado sistematicamente. Todo esse quadro de saque e sangria compõe o processo espoliativo que se apoia nas nossas estruturas internas, moldadas de forma a servirem aos interesses dos trustes e das corporações (...). Aqui está a matriz das inclementes injustiças sociais que vergastam as nossas populações (...)”.
(Leonel Brizola, prefácio do livro “Vais bem, Fidel!”, de Jurema Finamour, editora Brasiliense, São Paulo, 1962, páginas V-VIII).

Eleições 2018 - Reformas de Base rumo ao socialismo.

Hoje se fala muito nas eleições de 2018 e nas várias candidaturas do campo denominado de “esquerda”. Podemos discutir nomes, biografias e competências políticas, mas o que considero fundamental para definir o voto é um programa de governo. Tenho claro que programas podem ser abandonados sob a alegação da necessidade de “governabilidade”, mas eles são fundamentais para travar a luta política por um projeto histórico.
Nesse sentido estou socializando uma proposta de programa que, em minha opinião, deveria ser assumido por candidaturas que se colocam no campo popular e classista nas eleições de 2018.

Reformas de Base rumo ao socialismo.
Um programa bolivariano para o Brasil

Necessitamos lutar por um programa popular e classista que tenha como objetivos:
1. Desenvolver um governo realmente dos trabalhadores e trabalhadoras. Uma reorganização da sociedade sobre novas bases com a plena participação do povo trabalhador no controle e na gestão social e econômica do país, através dos comitês de fábrica, das associações de moradores e das organizações classistas e populares. Um regime político de soberania popular em que todos e todas participem das decisões do estado e nos assuntos de interesse coletivo.
2. Organizar, na sociedade brasileira, a produção dos bens, as leis e fixar as prioridades do governo para que seja assegurado para todos e todas: Emprego (trabalho); Acesso a Terra para trabalhar; Moradia digna; Educação pública e gratuita em todos os níveis de escolaridade; Alimentação adequada e atendimento de Saúde público. Desmercantilizar todos os serviços que dizem respeito ao bem-estar da sociedade como direitos inerentes independentes da capacidade de pagar.
3. Recuperar a soberania nacional do Brasil sobre seus destinos seja na política externa defendendo a autodeterminação dos povos, seja evitando ingerência de interesses estrangeiros em nossa economia, na política, no território e recursos naturais.
4. Valorizar a cultura do povo brasileiro nas suas mais diferentes manifestações e aspectos.
5. Combater todas as formas de discriminação social, por renda, raça, gênero, opção sexual, cor da pele, opção religiosa etc.
6. Desenvolver de forma quotidiana na nossa sociedade os valores éticos e socialistas.
7. Preservar os recursos naturais com um processo de desenvolvimento equilibrado e responsável com as gerações futuras. Defender nossos biomas e sua biodiversidade.
8. Convocação das bases das centrais sindicais, das organizações sociais e dos partidos populares para que discutam, votem em assembleia e assumam este programa.

Um programa para o Brasil que não seja “amplo” a ponto de resumir as bandeiras políticas, que devem ir além das ações eleitorais e governamentais, a propostas eleitorais de políticas públicas de governo e por outro lado não assuma um "esquerdismo" que se afaste da experiência histórica de nosso povo trabalhador. Um programa que retome e atualize, na direção do socialismo, as bandeiras históricas das reformas de base:

1. A Ruptura com a DEPENDENCIA EXTERNA DE NOSSA ECONOMIA Romper os acordos com instituições financeiras internacionais que monitoram nossa economia. Proibir as perdas internacionais com a aprovação de lei sobre transferências de lucros e riquezas para o exterior. Suspensão do pagamento e imediata auditoria das dividas interna e externa. Investigar todos os empréstimos e envio de recursos passados. Combater qualquer tipo de tratado de livre comércio ou o retorno do debate sobre a implantação da ALCA.
2. CONTROLAR O CAPITAL FINANCEIRO Revisar toda dívida pública interna; federal, estadual e municipal. Ver sua legitimidade, níveis de taxas de juros, e submeta-la aos interesses e prioridades sociais. Ou seja, os recursos direcionados pelo governo para os Bancos seriam destinados aos programas de educação, saúde, transporte coletivo e na reorganização da indústria e da agricultura. Controlar a taxa de juros e a especulação. Nacionalização e estatização dos bancos sob o controle democrático dos trabalhadores.
3. REORGANIZAR A PRODUÇÃO NACIONAL. Na indústria e na agricultura, visando em primeiro lugar o abastecimento das necessidades básicas da população e a geração de empregos. Descentralizar o parque industrial levando o desenvolvimento para o interior do país e para o meio rural. Garantia efetiva do acesso dos trabalhadores rurais à água, às sementes, e aos créditos para custeio, insumos, maquinarias, pesquisa agropecuária e assistência técnica rural.  Estatização sem compensação e com controle democrático dos trabalhadores de todas as empresas que fechem ou demitam trabalhadores. Organização de Comitês de trabalhadores, eleitos em assembléias, em todas as empresas para aplicar um controle operário da produção e das contas, para evitar fraudes contábeis e descapitalizações das mesmas. Redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais sem redução dos salários diretos e indiretos. Não à flexibilização da CLT e maior controle na aplicação da mesma. Garantia de aposentadoria digna para todos os trabalhadores com base no tempo de serviço e salário integral.
4. MANTER SOB CONTROLE DO ESTADO TODAS AS EMPRESAS ESTRATÉGICAS E SERVIÇOS PÚBLICOS. Na área de minérios, comunicações, energia, saneamento e transportes; garantindo assim sua finalidade social e a reaplicarão dos lucros para bem estar coletivo. Defesa das empresas estatais. Não as privatizações, revisão das já realizadas. Nacionalização e estatização (sem reparação e com controle democrático dos trabalhadores) das empresas estratégicas para o desenvolvimento nacional e das empresas ligadas a soberania sobre nossos recursos naturais. Não a terceirização dos serviços e servidores públicos.
5. DISTRIBUIR RIQUEZA E RENDA. Implantar um amplo programa de distribuição de renda e de riquezas, diminuindo as desigualdades sociais, com aumento real dos salários, imposto sobre grandes fortunas e heranças. Salário mínimo de acordo com os estudos do DIEESE a partir dos 16 anos. Medidas emergenciais para erradicar a fome, garantindo alimentos para todos os brasileiros que passam fome.
6. REFORMA NA SAÚDE. Não a privatização. Implantação plena do SUS - Sistema Único de Saúde com ampliação da rede pública de atendimento e atenção à saúde garantindo a universalidade, gratuidade e qualidade para todos de acordo com a Constituição Federal. Não a terceirização dos serviços e servidores públicos.
7. REFORMA EDUCACIONAL. Promover uma política de educação integral que instrumentalize os trabalhadores e seus filhos para a defesa das causas populares e para o pleno exercício da democracia participativa. Universalização do Horário integral e da educação integral no Ensino Fundamental e Médio, garantindo proteção à criança e aos jovens e a erradicação imediata da violência massiva contra as crianças e os adolescentes. Garantir amplo acesso à educação pública gratuita e de qualidade no Ensino Fundamental, Médio e Superior. Ampliar os investimentos públicos na educação pública.
8. REFORMA DA PREVIDÊNCIA. Impedir a criação de uma previdência “dos pobres” e uma “dos ricos”, em regime de capitalização individual através de fundos de pensão privados que alimentarão a especulação financeira e os lucros absurdos dos banqueiros. Defesa da aposentadoria integral para todos e dos direitos previdenciários dos trabalhadores, dos aposentados e segurados. Por uma previdência social integrada a formação de um sistema integrado de seguridade– aprovado na Constituição de 88.
9. REFORMA URBANA, REORDENAMENTO DAS CIDADES. Impedir a especulação imobiliária. Controle dos aluguéis. Democratização da propriedade do solo urbano para garantir a construção de moradia digna para todos, ligadas à energia elétrica, e saneamento básico. Requisição criteriosa de habitações e locais desocupados para alojar os sem-teto. Aplicação integral do Estatuto da Cidade.
10. REFORMA AGRÁRIA, DEMOCRATIZAR A PROPRIEDADE DA TERRA. Estabelecer o tamanho máximo da propriedade rural e realizar uma Reforma Agrária desapropriando todas as grandes propriedades, que garanta o acesso a terra e os meios necessários para todos os que quiserem viver e trabalhar no meio rural.
11. DEMOCRATIZAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA. Quebra dos monopólios dos meios de comunicação de massa. Garantindo o acesso e o controle democrático das rádios e televisão, que são concessões de serviço público, para os trabalhadores, as comunidades e a sociedade em geral. Regulamentação do limite mínimo de 150 W para as rádios. Estímulo e valorização das programações regionais.
12. DESENVOLVIMENTO DA TECNOLOGIA NACIONAL. Desenvolver um programa de estímulo e difusão da pesquisa, da ciência e da tecnologia no território nacional. E priorizar a busca de solução dos problemas do povo brasileiro. Romper com a atual matriz energética direcionando rumo à utilização da biomassa.
13. REGIME POLÍTICO. Implementar e ampliar os dispositivos previstos na Constituição que garantem a soberania popular evitando assim que os poderes constituídos usem de suas prerrogativas para tomar decisões que contrariem o interesse público nos municípios, estados e união. Nenhuma restrição nos direitos à expressão, reunião ou greve.

A derrota eleitoral de Freixo e Luciana aponta um desafio

A derrota eleitoral de Freixo e Luciana aponta um desafio que se for enfrentado transformará essa derrota em História.

Após a derrota eleitoral surgem os profetas do pós-apocalipse que tudo sabiam e tudo sabem desde os motivos que levaram a derrota de Freixo e Luciana até os fatos imponderáveis que auxiliaram na vitória de Crivella.
Alguns bem intencionados contribuem com análises críticas importantes, pois participaram do dia a dia da campanha e viveram todas as suas contradições e limites. Outros magoados por não terem sido consultados, como eram os oráculos gregos, vomitam impropérios contra os limites de Freixo, de Luciana, do PSOL e do PCB.
Muitos que queriam ver o Freixo e Luciana abraçados com Lulla, Dillma e Jandira dizem que faltou povo ao Freixo, que o PSOL se resume a um eleitorado de classe média e que a presença destes “coerentes” lutadores das causas populares trariam os votos necessários para a vitória da “esquerda” carioca. Principalmente na zona oeste tomada pelas milícias onde Dillma e Lulla tiveram votos... Não lembram de que até alguns meses atrás estavam sentados em cargos nos governos - ligados à milícia - do PMDB de Paes, Picciani, Cabral e Pezão e que muitos dos seus correligionários fizeram campanha do Pedro Paulo no primeiro turno e no segundo turno ficaram quietinhos ou assumiram abertamente a candidatura de Crivella com o intuito de garantir a continuidade da boquinha ou novas boquinhas na prefeitura. A coerência de Reimont foi uma exceção que tem de ser saudada.
Outros acusam o neopetismo do PSOL, que seria apenas uma continuidade dos equívocos do PT no Rio de Janeiro e que repetiria a mesma trajetória funesta desse partido em um futuro bem próximo. O “apoio” providencial da Globo, longe de ser produto de fissuras entre setores das classes dominantes, seria um claro exemplo dessa realidade inexorável. Usam até Brizola. Cartesianismo puro.
Se nossos sonhos não cabem nas urnas ficar imobilizado debatendo essas análises será pura perda de tempo. O conjunto de forças políticas e sociais que se unificou em tornos da candidatura do PSOL/PCB foi derrotado nas eleições.
Para aqueles que entenderam que essa composição politica pode ser um pouco de ar fresco em tempos sombrios a questão deve ser outra. Uma pergunta clássica tem de ser enfrentada: O que fazer?
Somente tentando responder COLETIVAMENTE essa pergunta podemos avançar em alguma alternativa. Esse deve ser o próximo passo. Em cada espaço organizado na campanha essa reflexão tem de ser feita por todos e todas: O que fazer com a força política acumulada nessa campanha?
O PSOL irá fazer o tradicional? Atrairá toda essa energia para o PSOL mesmo sabendo que o que acumulamos nessa campanha eleitoral foi muito, mas muito maior que o PSOL e suas contradições, defeitos e virtudes? Repetirá a mesma velha prática do PT preocupando-se apenas com as próximas eleições?
Não será o papel das forças politicas e militantes que galvanizaram a candidatura de Freixo e Luciana catalisarem em nossa cidade um processo muito maior de construção de lutas populares e classistas autônomas em torno das principais bandeiras defendidas em seu programa?
Os quadros das organizações politicas que atuaram nessa campanha tem condições de encarar essa tarefa. Faríamos oposição a Crivella, mas muito mais do que isso, apontaríamos um caminho para o enfrentamento dos tempos sombrios que vivemos e que estamos por enfrentar em todo o Brasil.
Um processo desse tipo pode nos encaminhar para construir uma esquerda de estrutura com um projeto histórico que vá ao encontro do fio da historia das lutas populares e classistas do povo trabalhador e que contribua efetivamente para que o povo trabalhador acumule forças para construir o poder do povo em um Brasil socialista.
Não precisamos de uma esquerda de conjuntura como foi o PT na década de 80 e que nos levou a esse atoleiro. Não precisamos de uma “frente popular” com pretensões eleitoreiras em relação a 2018.
Precisamos de um conjunto de forças à esquerda que busca sua força nas lutas do povo trabalhador.
O que surgirá desse processo? Acredito que algo bem melhor do que tudo que temos hoje.
Como diz o poema “Do Povo Buscamos a Força” de Agostinho Neto:

“Não basta que seja pura e justa a nossa causa.
É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.

Dos que vieram e conosco se aliaram muitos traziam sombras no olhar
intenções estranhas.
Para alguns deles a razão da luta era só ódio: um ódio antigo
centrado e surdo como uma lança.

Para alguns outros era uma bolsa vazia (queriam enchê-la)
queriam enche-la com coisas sujas inconfessáveis.

Outros viemos.
Lutar para nós é ver aquilo que o povo quer realizado.
É ter a terra onde nascemos.
É sermos livres para trabalhar.
É ter para nós o que criamos
Lutar para nós é um destino,
é uma ponte entre a descrença e a certeza de um mundo novo.

Na mesma barca nos encontramos. Todos concordam, vamos lutar.
Lutar para que? Para dar vazão ao ódio antigo?
ou para ganharmos a liberdade e ter para nos o que criamos?

Na mesma barca nos encontramos, quem há de ser o timoneiro?
Ah as tramas que eles teceram! Ah as lutas que aí travamos!

Mantivemo-nos firmes: no povo
buscamos a força
e a razão.

Inexoravelmente
como uma onda que ninguém trava
vencemos
o povo tomou a direção da barca.

Mas a lição foi aprendida:

Não basta que seja pura e justa a nossa causa.
É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.”


Solidariedade A Revolução Bolivariana


No dia 25 de fevereiro, quinta-feira, estarão no Senado Federal em Brasília, alguns deputados esquálidos da oposição Venezuelana fazendo uma campanha de difamação da Revolução Bolivariana e defendendo a derrubada imediata do presidente Nicolas Maduro. Nessas circunstâncias os movimentos políticos e sociais cariocas, como um gesto de solidariedade com a revolução bolivariana e de repúdio a presença e a ação desses deputados esquálidos em nosso Congresso Nacional farão um ato de solidariedade a Revolução Bolivariana da Venezuela em frente ao Consulado da Venezuela na Presidente Vargas às 17 horas.
Contamos com todos e todas !!!!

Nota de ruptura com as Brigadas Populares

O esgotamento precoce de uma aposta política.
As novas Brigadas Populares, suas contradições e limites.

As novas Brigadas Populares: a aposta chega ao impasse... 
Vivemos em um período de aprofundamento da crise estrutural do capitalismo mundial e de mudanças na configuração da luta de classes na América Latina. Essa realidade está estreitamente vinculada ao surgimento de rupturas revolucionárias com o capitalismo dependente em nosso continente. Assim, as condições objetivas para a revolução brasileira e latino-americana voltam à ordem do dia para nossos povos, mas na maioria dos países da América Latina e Caribe ainda estamos muito distantes dos instrumentos políticos e dos projetos históricos necessários para o cumprimento dessa tarefa. Falta-nos uma efetiva articulação revolucionária continental que possa contribuir com o avanço das lutas populares e classistas nesse período pré-revolucionário que começamos a navegar como brasileiros e latino-americanos.
Essa realidade aponta a necessidade da reconstrução da esquerda revolucionária. Por isso em 2010 atuamos firmemente no sentido da fusão de quatro agrupamentos - Brigadas Populares, Coletivo Autocrítica, Coletivo 21 de Junho (C21J) e do Movimento Revolucionário Nacionalista – círculos bolivarianos (MORENA – cb) – para iniciar o processo de construção de uma nova organização política de caráter nacional, popular e socialista - as novas Brigadas Populares – que contribuísse para superação dos desafios que a atual realidade aponta para a esquerda revolucionária.
Por outro lado, esse processo de fusão também foi percebido pelos dirigentes como a possibilidade de superação dos limites encontrados no desde a construção de cada um desses agrupamentos. Hoje, após pouco mais de dois anos desse esforço de fusão e construção das novas Brigadas Populares chegamos a um impasse político muito grave.
Nacionalmente, encontramo-nos em um processo avançado de substituição da fusão para uma política de “incorporação” ou mera “ampliação” das velhas Brigadas Populares de Minas Gerais. Isso se caracteriza pela insistência em manter a linha política e a forma organizativa de “movimento social de novo tipo” das antigas Brigadas Populares no cotidiano do processo de construção das novas Brigadas Populares. Essa política gerou uma série de contradições que não foram refletidas coletivamente nas instâncias devidas ou foram escamoteadas desde o processo de fusão para que não ocorressem os debates necessários.
Em suma, tais contradições não foram enfrentadas e a opção de não debatê-las clara e coletivamente nas instâncias foi responsável por crises como a que levou à saída da maioria dos dirigentes de SC há alguns meses e a que está ocorrendo nesse momento no Rio de Janeiro, na qual a manifestação de variadas expressões do liberalismo distorcem o funcionamento do centralismo democrático e impedem a tomada de decisões coletivas. Essa realidade levou a uma luta interna sem princípios que alimentou a naturalização de valores contrarrevolucionários como paradigmas para a sociabilidade interna. Com tudo isso os encaminhamentos e decisões políticas do partido que prevalecem não são discutidos nos espaços coletivos e na maioria das vezes são fruto de decisões tomadas fora das instâncias legítimas e impostas sem nenhum debate.

Movimento social ou partido? Fusão ou incorporação?
Entendemos que o processo de fusão tinha inegável potencial promissor e que foi capaz de sintetizar teoricamente, a partir das diferentes tradições que se somavam, as bases necessárias para contribuir com a recomposição de uma alternativa popular de enfrentamento ao capitalismo dependente e associado e ao Estado capitalista vigente. Entretanto, apesar de não negligenciarmos o valor que esta experiência teve no avanço coletivo dos sujeitos envolvidos no processo, avaliamos que a fusão das quatro organizações que apontaria para a superação das mesmas foi substituída pela incorporação às velhas Brigadas Populares de Minas Gerais.
Essa política de incorporação se expressou em vários momentos de maneira velada ou explícita nos últimos dois anos, desde o surgimento das novas Brigadas Populares. Porém, nos últimos meses vem tornando-se cada vez mais incontestável e irreversível. A clareza entre os distintos papeis desenvolvidos pelos partidos e movimentos sociais no cotidiano da luta política e na revolução brasileira, ainda que estejam descritos nos documentos fundamentais das novas Brigadas Populares, não se expressa na prática política hegemônica do partido.
A organicidade das Brigadas centra-se na fetichização da atuação em ocupações urbanas, a ponto de limitar suas estruturas à manutenção destas ocupações e à luta por moradia. Ao invés de uma nova práxis voltada para a construção de um partido militante, popular e de massas – capaz de fazer política nos espaços cotidianos das lutas populares e classistas – institui-se a continuidade da linha política e a forma organizativa das antigas Brigadas Populares de Minas Gerais no cotidiano do processo de construção das novas Brigadas Populares.
Assim, as Brigadas Populares, ao invés de se consolidarem como um partido revolucionário, confundem-se com um movimento de luta por moradia de novo tipo: um movimento social que articula instrumentos de apoio à sua luta específica no formato de frentes – reforma urbana, mulheres, juventude, antiprisional – que servem, também, secundariamente, como espaços de propaganda da estratégia política desse movimento social.
A organização política, por mais reflexão que possa fazer sobre os limites e desafios históricos de sua construção, não pode simplesmente assumir a lógica dominante nos movimentos sociais mais combativos e de massas para enfrentar esses limites e desafios. A defesa de compromissos irrenunciáveis em relação aos seus objetivos imediatos, da rejeição a fazer politica no enfrentamento com o Estado, da fetichização do poder da base e da possibilidade da revolução sem tomada do poder devem ser vistos como momentos de um percurso de conscientização revolucionária dos lutadores e lutadoras dos movimentos sociais em relação à necessidade e o papel dos partidos revolucionários.
Porém, se essa lógica for assumida pela organização política transforma-se em uma mera retórica repetitiva que impede essa tomada de consciência sobre a necessidade e o papel dos partidos revolucionários e sobre qualquer definição de prioridades, impedindo a construção dos mesmos.
Surgem dessa contradição o recrutamento baseado no jargão “quem luta é brigadista” e o método equivocado de atuação na luta por moradia, em que quadros do partido ligados artificialmente à realidade cotidiana das ocupações assumem sua direção, substituindo ou tutelando os sujeitos históricos dessas lutas, acabando por criar obstáculos à construção da autonomia desses espaços e sujeitos.
Entendemos que a premissa necessária da relação do partido revolucionário com os movimentos sociais deve ser a construção de uma relação de confiança recíproca; contar com sua combatividade, sem prejudicar sua autonomia, e sem abrir mão da presença direta do partido nas lutas de massas. Isso só é viável em uma organização politica que rompa com seu funcionamento como movimento social. Do contrário, o aparelhismo revela-se como recurso necessário para garantir a “hegemonia” nesses espaços.
O não entendimento dessa necessária relação entre os partidos revolucionários e movimentos sociais ajudam a entender a dificuldade das Brigadas Populares em romper com os limites da luta por moradia, sua lógica de alianças e de aparelhismo no movimento estudantil e a dificuldade de ampliação em outros movimentos sociais e no movimento sindical e operário.

Rio de Janeiro e a luta interna sem princípio levada às últimas consequências: a consolidação do centralismo autocrático pequeno burguês.
Uma das principais peculiaridades das novas Brigadas Populares é o fato de sua fundação ser fruto da fusão de quatro organizações locais. Por consequência, apesar da fusão, a estrutura de cada estado ou município tendeu a manter parte das características e tradições da organização anterior. Temos a clareza de que por tratar-se de um processo, esta tendência não pode ser negada ou mecanicamente criticada, mas no caso do Rio a insistência permanente na conservação de traços da forma organizativa do MORENA foi um dos principais determinantes para que se configurasse a luta interna.
O MORENA exibia uma limitação decisiva em seu formato: ainda que contasse com um claro horizonte tático estratégico e uma linha política definida, foi incapaz de determinar sua estrutura e organicidade a partir destes, e exatamente no sentido contrário acabava por configurar-se como uma organização hegemonizada pelo liberalismo, limitando-se a um espaço produtivo para o fluxo de ideias. Sem qualquer instância fortalecida e sem alcançar uma inserção concreta nas lutas sociais, tornou-se apenas um grupo de debate, educação política e solidariedade internacional pontual, com ampla capacidade de realizar agitação, mas um potencial político profundamente limitado. Tal realidade pôs em xeque, inclusive, a continuidade deste instrumento, sendo um dos fatores impulsionadores da fusão, sob a expectativa de que as novas Brigadas Populares criassem as condições para superar tais limitações.
O permanente apelo a uma estrutura organizativa que reproduzisse os limites do MORENA, apenas poucos meses da fundação das novas Brigadas,  iniciou uma crise no RJ que demoramos a mensurar e compreender. Organizávamo-nos segundo a lógica mais liberal possível: uma direção política limitada a tratar dos problemas mais graves e imediatos; reuniões sempre curtas e sem qualquer debate aprofundado; instâncias enfraquecidas, sem vida política e sem inserção social. A incapacidade de estruturar uma política de formação e de finanças, por exemplo, expressa-se duramente no ecletismo da formação dos militantes e nas dificuldades de exercer qualquer tarefa que demande financiamento do partido. Também era comum o tarefismo, o voluntarismo e a indisciplina, centralizando em poucos militantes um enorme montante de tarefas, ou ainda limitando a ação em determinadas áreas em função da negativa de militantes assumirem o trabalho político. Ainda sob esta lógica, e combinado a uma tendência nacional da organização, as instâncias atuavam de maneira independente, reivindicando muitas vezes liberdade e autonomia perante outras Frentes e da própria direção politica – sob a compreensão de que o Partido enquanto todo é a mera soma das partes –, reafirmando assim uma tendência à valorização de interesses particularistas ou setoriais impregnando o Partido de princípios individualistas pequeno-burgueses e garantindo a prevalência de interesses de um limitado grupo sobre o coletivo.
Tais questões poderiam ser facilmente superadas se não fosse somado a este cenário expressões ainda mais graves de liberalismos, como a negação do princípio de crítica e autocrítica, impedindo qualquer análise critica das práticas individuais e coletivas no interior do Partido. Tal negação impediu de maneira brusca e truculenta que a lógica de reprodução do MORENA fosse sequer debatida, instaurando um processo de exceção: todos aqueles que decidiram enfrentar e duramente criticar as práticas cristalizadas que faziam com que as Brigadas Populares no Rio de Janeiro se tornasse dogmática e sectária eram desqualificados a partir de acusações baseadas em um conteúdo estigmatizador, muitas vezes oriundo de desvios machistas e heteronormativos.
Este processo consolidou no Partido uma pequena cúpula que tomava as decisões fundamentais fora dos espaços deliberativos e instrumentalizava as instâncias de acordo com seus interesses. Utilizavam as relações pessoais e a amizade para constituir uma hegemonia artificial e assim fundar uma maioria eventual em torno das divergências. Com tais procedimentos impediu-se o debate politico nas instâncias em que não havia consenso, e em nome do pragmatismo e da objetividade mergulhamos no reinado do centralismo autocrático. Todos os mecanismos de estímulo ao debate, à dialética e à percepção das contradições foi substituído pela burocracia e pela lógica punitiva baseadas no estilo vulgar dos partidos burgueses. Foram sendo implementadas estratégias de afastamento dos espaços coletivos de todos aqueles que não concordavam com esta minoria que conquistou uma maioria eventual a partir de métodos personalistas. Aos poucos, os que questionam esse processo de degeneração foram sendo desqualificados em conversas paralelas às instâncias, tendo sua militância e trajetória política ridicularizada, expulsos de maneira infundada de reuniões e assembleias, suspensos por motivos irrelevantes ou burocráticos e expostos de maneira desrespeitosa no âmbito externo das Brigadas Populares.
Em meio a tudo isso, decisões políticas complexas, que não foram precedidas de qualquer debate coletivo, não puderam ser refletidas da maneira crítica como deveriam e tornaram-se assunto proibido, como por exemplo, a aliança com o PT/governismo, na Uerj, que sequer permitiu atingir o objetivo usado para justificar tal aliança (a construção do DCE pela base), o que prejudicou profundamente a atuação em outros espaços de militância; a atuação aparelhista no movimento comunitário de favelas; ou ainda a absurda eleição de um dirigente do PT para a direção municipal das Brigadas Populares, baseado na autonomia de escolha de sua instância de base.
Não foram poucos os princípios essenciais de uma organização politica revolucionária negados ou distorcidos nesse processo. Porém, o mais grave foi a consagração do centralismo autocrático. Baseados em uma perspectiva meritocrática e sustentados por mecanismos burocráticos, essa pequena cúpula conseguiu naturalizar nas Brigadas Populares do município do Rio de Janeiro uma distorção de centralismo democrático no qual não se considera o valor da direção coletiva. Com isso a direção do partido em nada expressa qualquer acúmulo das instancias intermediárias e de base. A expressão “direção manda e todo mundo obedece” não foi pronunciada poucas vezes nesse processo.

A omissão é o equivoco que se faz não fazendo...
A saída para buscar a solução de tais contradições no Rio de Janeiro foi recorrer à Coordenação Política Nacional para tentar supera-las a partir dos princípios e das normas de funcionamento da organização. Porém, paulatinamente percebemos que a luta interna no Rio tornou-se funcional ao processo de “incorporação” nacional.
Desde o início, os militantes do Rio de Janeiro defenderam o processo de fusão combatendo em diversos momentos a lógica de “incorporação”, na mesma direção em que combatíamos a reprodução dos limites do MORENA.
Entretanto, o acirramento das contradições no Rio de Janeiro instaurou um processo de fracionamento na organização que facilitou a substituição da fusão pela mera “ampliação nacional” das velhas Brigadas Populares de Minas Gerais. Da mesma maneira, a decisão política de não enfrentar a saída dos vários militantes das Brigadas Populares de Santa Catarina em 2013 por parte da direção nacional, facilitou a consolidação de antigas práticas nas instâncias do partido. Em ambos os cenários de crise política a direção nacional desconsiderou o real conteúdo da crítica prendendo-se exclusivamente a aparência dos fenômenos e optando por um tratamento burocrático que despolitizou as divergências, e afastou ou induziu o afastamento dos militantes que articulavam as críticas.
Compreendemos finalmente a principal motivação da Coordenação Política Nacional para tergiversar durante quase seis meses sobre o que por fim acabaram por denominar como imbróglio carioca , e decidir pelo nosso afastamento da organização. Afinal, enfrentar duramente as raízes dessa situação significaria iniciar uma reflexão coletiva nas instâncias nacionais e inaugurar o tão necessário debate sobre a degeneração do processo de fusão.
Este cenário nos coloca um duro impasse: permanecer disputando essa nova organização política, que pretendia contribuir com a reconstrução da esquerda revolucionária no Brasil - na qual apostamos durante quase dois anos, ainda que diante de um diagnóstico de tendência gradativa do aprofundamento dos equívocos que sua própria fundação se propunha a superar- ou aceitar que sem as bases mínimas necessárias para a disputa política em termos revolucionários a permanência nas Brigadas Populares nos encaminharia para o atoleiro do imobilismo ou da degeneração reformista.

Romper com as Brigadas Populares e continuar na luta...
A solução para o impasse que nos impuseram foi produto de um processo longo de reflexão coletiva com todos aqueles que militando nas instâncias de base e de direção das Brigadas Populares conscientizaram-se da necessidade do rompimento.
Identificamos a tendência a médio prazo do rebaixamento do programa e linhas políticas das Brigadas Populares às demandas imediatista dada a análise limitada aos aspectos superficiais da luta de classe, em função de  sua organicidade de partido  ser determinada, contraditoriamente, por uma lógica de movimento social. Ou seja, a consequência direta de uma organização que se afirma como partido, mas assume uma prática política de movimento social, será um “reformismo de baixo perfil”, no qual seus posicionamentos políticos e programas terão de estar de acordo com o que se “escuta da sociedade ou nas bases dos movimentos sociais” e, portanto, limitado às relações de força e poder existentes. A longo prazo, uma organização com essas características acabará por não tolerar opções radicalizadas e denunciará como esquerdismo toda lógica que atue em contradição com esse “reformismo de baixo perfil”.
Após dois meses concluímos lamentavelmente que a superação desse impasse é a saída coletiva das Brigadas Populares dos militantes e dirigentes que assinam esse documento. Rompemos com as Brigadas Populares compromissados com a aposta de construir um instrumento politico partidário que não reproduza os limites das organizações que se propuseram à fusão e que avance nos acertos que aprendemos nessa tentativa.
Dedicaremos nossas energias para contribuir com a construção de um novo instrumento político partidário que afirme o caráter socialista da revolução brasileira assumindo o papel fundamental da Teoria  Marxista da Dependência como instrumento de análise e contribuição para a ação política na realidade brasileira e latino-americana. Uma organização revolucionária que tenha clareza da atualidade do nacionalismo-revolucionário como expressão latino-americana da estratégia de libertação nacional rumo ao socialismo e do papel do brizolismo e do bolivarianismo na transição ao socialismo no Brasil e na Pátria Grande.
Um partido revolucionário que desenvolva uma linha de massas onde a ação direta seja a forma de ligação com os movimentos sociais capaz de conceber os trabalhadores e trabalhadoras como sujeitos e não meros objetos da estratégia revolucionária, delimitando assim com clareza o papel da organização politica revolucionária e dos movimentos sociais.
Sabemos que esse é um caminho longo e complexo e um problema para muitas gerações. Porém, essa constatação não nos impedirá de fazer novas apostas políticas nem tampouco deixaremos nos levar ao imobilismo.

“O mundo não precisa de soldados! Precisa de guerreiros, meu irmão!
Soldado segue general e guerreiro só segue o coração!”
                                                              Guerreiro Urbano - BANDACORISCO

Brasil, 03 de junho de 2014

Alex Lima – militante da Frente de Juventude Rio e do Círculo Brigadista Horácio Macedo.
Amanda Neder – militante da Frente de Juventude Rio e do Círculo Brigadista UFRJ.
Andre Gustavo – fundador das Novas Brigadas Populares e militante da Frente de Reforma Urbana.
Aurelio Fernandes – fundador das Novas Brigadas Populares, militante da Frente de Reforma Urbana e do Círculo Brigadista Horácio Macedo.
Erico Augusto – militante da Frente de Reforma Urbana.
Fred Borges – militante da Frente de Juventude Rio e do Círculo Brigadista UFRJ.
Julio Lacerda (Julião do Jorge Turco) – militante da Frente de Reforma Urbana.
Mariana Beltrão – fundadora das Novas Brigadas Populares, militante da Frente de Juventude Rio e do Círculo Brigadista UFRJ.
Renan Quintela – militante da Frente de Juventude Rio e do Círculo Brigadista Horácio Macedo.
Sabrina Mendonça – militante da Frente de Juventude Rio e do Círculo Brigadista UFRJ.
Victor Leonardo – militante da Frente de Reforma Urbana.

Winston Sacramento – militante da Frente de Reforma Urbana.

Texto no minimo curioso...

Estado Novo foi o momento mais revolucionário da História do Brasil

Desesperada com as derrotas em 30 e 32, a oligarquia tramava a volta ao poder e a derrocada da revolução. O Estado Novo quebrou a contra-revolução e fez as mudanças que transformaram o Brasil num país industrial com operariado forte e empresariado empreendedor

A Revolução de 30, o maior movimento revolucionário da História do nosso país, teve sua vitória definitiva assegurada pelo Estado Novo. Esse foi exatamente o motivo de sua instauração. É inevitável que as forças reacionárias, depostas pelas revoluções, tentem voltar ao poder, isto é, tentem empreender a contra-revolução. Para isso, a reação conta com o fato de que, mesmo deposta, ela continua, por um tempo mais ou menos longo, mais forte do que a revolução que acaba de nascer. As relações econômicas, sociais e políticas forjadas em décadas de domínio reacionário não são fáceis de ser superadas pelo novo poder, que ainda não teve tempo de mudá-las, isto é, mudar a sociedade e o país.

Foi assim em 1937. Derrotados em 1930, e outra vez em 1932, quando tentaram a contra-revolução armada, os carcomidos, a decadente e corrupta oligarquia cafeeira - cujas principais características eram a subserviência aos bancos ingleses e o parasitismo espoliador sobre o conjunto da Nação – tramava a volta ao poder, dessa vez manipulando e falsificando os próprios instrumentos formalmente democráticos, deformando-os e transformando-os num simulacro.

Era preciso que a revolução impedisse e esmagasse o golpe. Em 10 de novembro de 1937, falando em cadeia de rádio para todo o país, o presidente declarou: “quando os meios de governo não correspondem mais às condições de existência de um povo, não há outra solução senão mudá-los”.

Getúlio apontou a farsa em que se transformara a vida político-institucional, manipulada pelos decrépitos derrotados em 1930, para colocar no poder, outra vez, à revelia do povo e da Nação, um soba da oligarquia: “Tanto os velhos partidos, como os novos em que os velhos se transformaram sob novos rótulos, nada exprimiam ideologicamente, mantendo-se à sombra de ambições pessoais ou de predomínios localistas, a serviço de grupos empenhados na partilha dos despojos e nas combinações oportunistas em torno de objetivos subalternos. Aí está o problema da sucessão presidencial, transformado em irrisória competição de grupos, obrigados a operar pelo suborno e pelas promessas demagógicas, diante do completo desinteresse e total indiferença das forças vivas da Nação. Chefes de governos, capitaneando desassossegos e oportunismos, transformaram-se, de um dia para outro, à revelia da vontade popular, em centros de decisão, cada qual decretando uma candidatura, como se a vida do país, na sua significação coletiva, fosse simples convencionalismo, destinado a legitimar as ambições do caudilhismo provinciano”.

Mais do que isso, Getúlio denuncia: “Os preparativos eleitorais foram substituídos, em alguns Estados, pelos preparativos militares, agravando os prejuízos que já vinha sofrendo a Nação. O caudilhismo regional, dissimulado sob aparências de organização partidária regional, armava-se para impor à Nação as suas decisões, constituindo-se, assim, em ameaça ofensiva à unidade nacional”.

Nessas condições, o próprio voto, por fraudado, passava a ser um embuste anti-democrático: “O sufrágio universal passa, assim, a ser instrumento dos mais audazes e máscara que mal dissimula o conluio dos apetites pessoais e de corrilhos. Resulta daí não ser a economia nacional organizada que influi ou prepondera nas decisões governamentais, mas as forças econômicas de caráter privado, insinuadas no poder e dele se servindo em prejuízo dos legítimos interesses da comunidade”.

E, por fim, o golpismo aberto, diante da resistência da revolução: “Ainda ontem, culminando nos propósitos demagógicos, um dos candidatos presidenciais mandava ler da tribuna da Câmara dos Deputados documento francamente sedicioso e o fazia distribuir nos quartéis das corporações militares, que, num movimento de saudável reação às incursões facciosas, souberam repelir tão aleivosa exploração, discernindo, com admirável clareza, de que lado estavam, no momento, os legítimos reclamos da consciência brasileira”.

SABOTADORES
O candidato referido era Armando Salles de Oliveira, rebento da oligarquia cafeeira que já o tinha posto no governo de São Paulo. Agora, continuando a contra-revolução, queria-o na Presidência da República. Tratava-se de impedir que a Revolução de 30 avançasse e, mais, acabar com as suas conquistas – a começar pela industrialização em curso, que era financiada, exatamente, por um imposto cambial sobre as exportações de café; a esse imposto, os carcomidos chamavam “confisco”: para eles, contribuir com o país era ser “confiscado”. Quanto ao país inteiro pagar os seus prejuízos, como acontecera de 1906 a 1930, isso eles achavam muito justo. Para que existia o país senão para pagar os empréstimos aos bancos ingleses, que eles tomavam para cobrir os rombos em suas contas?

Assim, primeiro recorreram à tentativa armada de derrubar o governo revolucionário. Depois, recorreram à sabotagem, a partir da Constituinte de 1934; agora, recorriam ao suborno, à fraude, à coação do eleitorado e – em último caso – preparavam outra vez um putsch contra o governo. Como toda classe decadente derrotada, o desespero fazia com que recorresse a qualquer recurso, por mais torpe que fosse – inclusive, logo no início do Estado Novo, à tentativa de assassinato de Getúlio, em conluio com os nazistas locais, os integralistas.

Mas a revolução e seu líder não permitiriam que a reação triunfasse e retroagisse o país outra vez àquele deserto atrasado de famintos de antes de 1930. Era preciso avançar, realizar o programa da revolução, mudar o país irreversivelmente. Mas, como disse Getúlio naquele dia 10 de novembro de 1937, “numa atmosfera privada de espírito público, como essa em que temos vivido, onde as instituições se reduzem às aparências e aos formalismos, não era possível realizar reformas radicais sem a preparação prévia dos diversos fatores da vida social”.

O Estado Novo garantiu essas reformas. A moratória da dívida externa; a Consolidação das Leis do Trabalho; a Previdência; o impulso poderoso à industrialização; a resolução do problema do aço, com a fundação da Companhia Siderúrgica Nacional; a nacionalização do subsolo e de suas riquezas; os primórdios da indústria do petróleo; a Marcha para o Oeste, para integrar o interior do país; as indústrias de base – máquinas, equipamentos e insumos; a remodelação da Defesa Nacional; a planificação da economia; a proteção ao desenvolvimento da indústria nacional; o aumento da renda do povo, com o aumento exponencial do mercado interno; o salário-mínimo; o plano da casa própria para os operários; a qualificação do trabalhador brasileiro; o combate ao nazismo, dentro e fora do país.

O Estado Novo foi, portanto, a fase em que a revolução quebrou a contra-revolução e levou a prática as medidas que mudaram o Brasil. As duas primeiras foram anunciadas por Getúlio no próprio discurso do dia 10 de novembro: a primeira foi a suspensão das transferências de recursos aos bancos externos que sangravam o país: “A situação impõe, no momento, a suspensão do pagamento de juros e amortizações, até que seja possível reajustar os compromissos sem dessangrar e empobrecer o nosso organismo econômico. Não podemos por mais tempo continuar a solver dívidas antigas pelo processo ruinoso de contrair outras mais vultosas, o que nos levaria, dentro de pouco, à dura contingência de adotar solução mais radical. As nossas disponibilidades no estrangeiro, absorvidas, na sua totalidade, pelo serviço da dívida e não bastando, ainda assim, às suas exigências, dão, em resultado, nada nos sobrar para a renovação do aparelhamento econômico, do qual depende todo o progresso nacional”.

A segunda medida foi o fim dos privilégios aos cafeicultores, isto é, à oligarquia cafeeira, privilégios que sangravam o Tesouro e constituíam, como a outra sangria, a externa, um freio a que o Estado pudesse atuar em prol da coletividade.

O Estado Novo foi, portanto, o período mais revolucionário da revolução que transformou o Brasil, ou seja, foi o período mais revolucionário da História do país. Naturalmente, é inevitável que os períodos mais intensamente revolucionários não agradem aos reacionários; e que, portanto, eles os chamem de “ditadura” e outros nomes que só revelam que consideram um absurdo que sua pilhagem sobre o povo tenha acabado, que consideram o fim da picada que o povo tenha sido beneficiado com os recursos que são de propriedade do próprio povo, isto é, os do Estado, que esses cadáveres sociais consideravam uma capitania hereditária deles. E que consideram que acabar com a sua ditadura é a coisa mais ditatorial que pode existir. Mas, como disse Getúlio, “era necessário e urgente optar pela continuação desse estado de coisas ou pela continuação do Brasil”.

DEMOCRACIA

Exatamente por isso – porque foi nele que a tirania sobre o povo foi completamente derrotada - o Estado Novo foi, também, o período mais democrático da História do Brasil. Quem se queixou da suposta ditadura foram os reacionários, a ganga antidemocrática, oligárquica, o restolho que desde o governo de Prudente de Moraes tinha estabelecido um regime antipopular cujo voto à bico de pena era um insulto, cujos currais eleitorais e eleições fraudadas eram afrontosamente legendárias, onde mesmo depois de eleito um deputado só tomava posse se fosse aprovado por uma “comissão de verificação”, que alijava qualquer progressista que tivesse escapado do assassinato eleitoral pela fraude. O aplastamento dos inimigos do povo foi a grande tarefa política do Estado Novo. Daí a intensa participação popular que acompanhou todo o Estado Novo.

Evidentemente, não é a aparência formal que é a essência da democracia. Se fosse assim, Stroessner, que foi “reeleito” infinitas vezes, seria um democrata e o Paraguai da sua época, uma democracia exemplar. O que interessa é o poder que efetivamente o povo tem. O Estado Novo não teve tempo de estabelecer instituições que formalizassem a democracia que instituiu. Isso, como em outras revoluções, somente foi feito em período posterior, em 1945/1946. E foi Getúlio, mais uma vez, quem convocou as eleições presidenciais e para a Constituinte.

É interessante que, na tentativa de denegrir o Estado Novo, os mais raivosos anticomunistas afetassem pose de defensores dos comunistas contra Getúlio. Até mesmo foi forjada a asnática história de que o “pretexto” para o Estado Novo teria sido um certo Plano Cohen, um falso plano de ação comunista, forjado pelo governo. Não é verdade. Jamais Getúlio levantou qualquer “Plano Cohen” como razão para o Estado Novo. As razões, ele as declarou claramente: derrotar a oligarquia, que tentava a restauração do antigo regime, para mudar o país. Quanto ao “Plano Cohen”, era uma invenção sem importância de um integralista, o mesmo que em 1º de abril de 1964 esteve à frente do putsch urdido pelos inimigos de Getúlio.

O conflito dos comunistas com Getúlio foi antes do Estado Novo. Segundo, já em 1942, isto é, ainda em pleno Estado Novo, nas manifestações pela entrada no Brasil na II Guerra, e depois, na própria guerra, os comunistas e a revolução de 30 estariam juntos contra o nazismo. Terceiro, é evidente que os comunistas, em 1935, atacaram o inimigo errado – e esse erro é de sua inteira responsabilidade, e não de Getúlio. Tentaram, equivocadamente, derrubar um governo revolucionário, objetivamente colaborando com a oligarquia, o que é a demonstração cabal de que o movimento comunista, o marxismo, estava em sua infância no Brasil, com todos os graves problemas da imaturidade que não se reconhece como imatura. Assim é feita a História, que caminha através dos acertos, mas também dos erros dos homens. Para honra dos comunistas, antes que terminasse o Estado Novo, em 1943, na Conferência da Mantiqueira, eles souberam reconhecer quem eram os verdadeiros inimigos do povo – e quem eram os amigos, a começar por Getúlio, a quem Prestes tacitamente se aliou contra o golpe pró-ianque de 1945.

INDEPENDÊNCIA

Da mesma forma estúpida e sem-vergonha, oligarcas e outros bajuladores do imperialismo pretenderam que Getúlio, ao romper com a dependência à Inglaterra, estava planejando entrar na órbita da Alemanha, isto é, do nazismo. Trata-se de uma idiotice típica de quem só consegue se ver – e ao Brasil – como dependente e subserviente a alguma potência ou matriz imperialista externa. Tanto isso é verdade, que, como mostra o seu diário, publicado décadas após sua morte, Getúlio espantou-se que em seu discurso de junho de 1940, que denunciava o imperialismo norte-americano, alguém visse qualquer coisa de inclinação para o nazismo. Ele lutava por um país independente e tinha uma mente independente. Quem não conseguia ver o país independente – e, portanto, via na denúncia de um imperialismo, inclinação por outro imperialismo – eram os oligarcas e apaniguados. Getúlio, pelo contrário, proibiu o Partido Nazista já antes da guerra e reprimiu seus servos internos, os integralistas – com apoio explícito, por sinal, dos comunistas, que, presos, tomaram a iniciativa de se solidarizar com ele, reconhecendo-o como chefe da Nação brasileira.

O Brasil jamais foi o mesmo após o Estado Novo. Hoje, a maioria dos que nasceram depois nem mesmo imagina como ele era diferente antes. Éramos, como disse Getúlio no discurso de São Lourenço, um país que vivia de exportar sobremesas. Um país de povo miserável e desempregado. Tornamo-nos um país industrial, com um operariado numeroso, com um empresariado empreendedor. Em suma, com o Estado Novo, tornamo-nos o Brasil.

CARLOS LOPES

Nascem as Brigadas Populares: um movimento nacional no rumo do socialismo

Por Elaine Tavares – jornalista
07.10.2011 - Ela tinha menos de 20 anos quando saiu de Blumenau para fazer a faculdade na capital, assim como milhares de outros jovens saem do interior em busca de conhecimento e profissão. “Eu não cabia ali, mas não sabia por que”. Da vida conhecia pouco e das lutas das gentes menos ainda. Em Blumenau quase não se vê a pobreza, que fica escondida nos morros e na periferia. Mas, na faculdade, o véu foi se descortinando. Uma viagem para o Rio de Janeiro expôs as feridas abertas de uma nação capitalista dependente e a cabeça de Daniela Mayorca nunca mais seria a mesma. Dali para a luta estudantil foi um pulo. Uma nova viagem foi a pá de cal em qualquer possibilidade de ficar apática, ou restrita a pequenas batalhas. Argentina, Bolívia, Peru, Venezuela. O pé na vida real de um espaço esquecido. A caminhada com as gentes em luta, em processo de profunda transformação. Essa América baixa, profunda, cheia de feridas e repleta de possibilidades de revolução. “Descobri um mundo que tem cheiro, cor, lágrimas, esperança, luta. Foi um choque, mas um choque bom”.
De volta para a universidade Daniela mergulhou na organização estudantil, preferindo atuar no Coletivo 21 de junho, uma proposta diferente das velhas tendências sempre ligadas a partidos políticos, nascida na metade do ano de 2007, inspirada na luta dos estudantes que fizeram a histórica Reforma de Córdoba. O coletivo se organizava desde uma perspectiva teórica anti-colonialista, anti-eurocêntrica, baseada no pensamento próprio, latino-americano. Atuava e atua para além dos eventos e lutas internas, com a mirada sempre na transformação social. Nesse agrupamento foi possível fazer uma profunda reflexão da universidade, travar lutas singulares, garantir conquistas. Ali, Daniela pode compartilhar a batalha por uma universidade que fosse transformadora, mas também aprendeu que mudar só esse espaço não seria suficiente. “Sabíamos que era necessário um movimento de base, de massa”.
Depois de três anos da direção do DCE, o Coletivo 21, que já abrigava dezenas de jovens como Daniela, decidiu que era hora de ampliar os caminhos da mudança. Sozinho, é difícil mudar um mundo. E a realidade mostrava que, pelas veredas profundas do Brasil, também outras pessoas se movimentavam numa outra proposta de organização da vida, com pressupostos muito parecidos, de caráter nacional, popular e socialista. No Rio de Janeiro vicejava o grupo Movimento Revolucionário Nacionalista (Morena), pensando o mundo desde Ruy Marini, Darcy Ribeiro, Brizola. Juntava gente que entendia ser necessário mudar a cara do Brasil. Em Minas Gerais, na capital (Brigadas Populares) e nas montanhas das cidades históricas (Coletivo Autocrítica, de São João del Rei) também pululavam ações urbanas que tinham como horizonte a mudança geral. Essas concepções práticas e teóricas foram se conhecendo, dialogando, encontrando afinidades.
Durante um ano inteiro esses grupos se namoraram, conversando, debatendo, sonhando juntos. Até que em setembro deste ano resolveram se encontrar num campo neutro: São Paulo. Para lá partiram os representantes dos coletivos buscando estabelecer uma proposta de projeto histórico e uma linha conjunta de luta organizada. Daniela Mayorca estava lá, representando o Coletivo 21, da UFSC. “Foi um encontro muito rico, cada um ensinou e aprendeu. Havia um clima de companheirismo e curiosidade. As divergências só chamavam mais discussão e não disputas. A proposta é garantir a unidade em questões maiores, de interesse nacional”.
O encontro de setembro resultou numa unidade real. Os então coletivos se diluíram numa única organização, as Brigadas Populares, com um propósito ousado: construir uma pátria soberana e socialista. “Os fundamentos da nova organização são o socialismo, o nacionalismo revolucionário e a organização de uma nova maioria”. Conforme o manifesto lançado logo depois da fusão, o socialismo é a superação da irracionalidade capitalista que se apresenta como a aspiração mais elevada das gentes no seu processo de emancipação. O nacionalismo revolucionário busca a soberania e autodeterminação popular desde as raízes brasileiras, mas sem negar o internacionalismo. E a formação de uma nova maioria pressupõe como estratégia a revolução brasileira, constituindo um campo de forças sociais capaz de buscar a hegemonia em todas as dimensões da vida social.
Os coletivos que se encontraram em São Paulo assumiram como prioridade superar essa divisão que caracteriza hoje o campo popular no Brasil, provocada pela crise teórica, política e organizativa das últimas décadas. Assim, a proposta é de construir uma unidade aberta, ou seja, mesmo na diferença acumular força coletiva rumo ao socialismo. O objetivo é caminhar para a construção de uma força política forte, de natureza antiimperialista e antimonopolista que defenda um programa de libertação. Assim, a primeira tarefa é recompor esse tecido roto dos setores revolucionários da esquerda e a segunda é articular uma Frente Política unificada num programa mínimo e de materialização imediata. “A gente sabe que essa unidade não significa que é tudo igual, todo mundo pensando a mesma coisa. Temos diferenças, mas temos também maturidade para saber que só articulados podemos caminhar para a libertação”, analisa Daniela.
A nova organização nacional procura também dispor das diversas formas de atuação que cada um dos coletivos já desenvolvia. A ação junto aos estudantes, a luta nos movimentos urbanos, a discussão teórica, a ação político/popular. A idéia é formar uma militância revolucionária, capaz de compreender dialética e historicamente a realidade. Teoria e ação, tudo junto. Gente que possa ocupar os espaços da luta política real, nos movimentos sociais de toda ordem, mas sem a lógica do aparelhamento, tão nociva. Exemplos concretos dessa prática ousada e de massa que já estão em movimento é a luta pela manutenção das famílias na Ocupação Dandara, em Belo Horizonte, a batalha por mandatos revogáveis na UFSJ, em São João Del Rei, a organização dos sem teto e a casa Bolivariana, no Rio de Janeiro, e a ação entre os estudantes da UFSC, do Coletivo 21 de junho, em Santa Catarina.
As Brigadas Populares nascem assim, sem muito ruído, mas com um arcabouço teórico forte, com pilares seguros, com objetivos claros e factíveis. Seu manifesto de nascimento é intenso: “A revolução brasileira não é um dissídio coletivo entre trabalhadores e patrões. É a constituição de uma maioria política nas qual os trabalhadores se estabelecem como a força dirigente. A revolução não é um ato, um golpe, uma queda do governo, mas um conjunto de eventos históricos que reorganizam a sociedade em favor da classe trabalhadora, construindo uma nova visão de mundo”.
Essa proposta, constituída coletivamente pelos agrupamentos que se unificaram nas Brigadas Populares, é o que move hoje a vida de Daniela e tantos outros jovens nesse imenso Brasil. Divididos em Frentes (Popular, Juventude, Mulheres e Solidariedade Internacional) e Missões (Formação, Comunicação, Finanças, Tarefas), eles tem um longo caminho a cumprir para entranhar na cabeça e no coração de cada vivente deste país a proposta bonita do mundo socialista. Um mundo no qual os trabalhadores sejam protagonistas, onde as vozes populares sejam as que mandam. Um mundo de riquezas repartidas e de vida boa para todos. Um mundo onde se possa realmente bem-viver. Não é tarefa simples, a considerar a pedagogia da sedução capitalista levada a cabo pela escola, pelos meios de comunicação. Mas, ninguém das Brigadas Populares acredita que fazer revolução seja coisa fácil. O fato é que a idéia já está caminhando, invadindo as veredas do campo e da cidade. As pessoas estão trabalhando e a libertação está ali adiante. As Brigadas são uma lufada de vento fresco, vento forte, disposto a varrer o capitalismo. De Santa Catarina, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de vários espaços está brotando essa nova realidade. Bem vinda!...