Eleições 2006

APOSTAR NA FORÇA DO POVO
O PDT e as eleições de 2006 no Rio de Janeiro

Sonhar mais um sonho impossível.
Lutar quando é fácil ceder.
Vencer o inimigo invencível.
Negar quando a regra é vender.
Miguel de Cervantes

As eleições de 2006 no estado do Rio de Janeiro serão muito importantes e ao mesmo tempo cruciais para a consolidação de um PDT identificado organicamente com o nosso projeto histórico.
Não é de hoje que o PDT carioca e fluminense vem perdendo espaços na frente de luta eleitoral. Muitos acreditam que isso se deve fundamentalmente ao trauma causado pelo rompimento da “famiglia” garotinho. Porém, se nos debruçarmos detidamente sobre a história de nosso partido no Rio de Janeiro perceberemos que essa ruptura anunciada foi muito mais um sintoma do que a causa de nosso enfraquecimento partidário.

O PDT no Rio de Janeiro foi a seção que mais sofreu com a contradição entre a hegemonia do brizolismo na definição de nossas bandeiras políticas e a hegemonia do eleitoralismo e do liberalismo na definição de nossas ações políticas e organizativas. Essa contradição nos afastou da frente de luta de massas, desnorteando nossos militantes nos movimentos sociais, afastando-os do partido e abrindo espaço para a burocracia e a “militância profissional” que muito contribuiu para aprofundar nossas crises políticas sucessivas a partir de 89.

Essa contradição contribuiu sobremaneira para transformar o PDT carioca e fluminense - independente das boas intenções de suas lideranças - em celeiro de quadros para o conservadorismo e o oportunismo eleitoreiro. Basta observar o quadro político em nosso estado onde as maiorias das “lideranças” políticas desses setores são oriundas do PDT.

Brizola serviu de esteio à manutenção de nossa coerência ao não deixar o partido enveredar no caminho do oportunismo demagógico e eleitoreiro e nem se curvar ante o conservadorismo. Com a sua morte aumenta a responsabilidade dos lutadores e lutadoras brizolistas que sobreviveram a todo esse processo.

Em relação à disputa pelo governo estadual, a discussão em nosso partido, refletindo a continuidade de nossa contradição, continua sendo em torno de nomes e não de projetos ou programas. São apresentados os nomes de Jorge Roberto, de Arnaldo Viana passando pelo “falecido” Zito, cogitando-se até mesmo a possibilidade de apoio à conservadora e anti-brizolista Denise Frossard do PPS.

Sem aprofundar seriamente essa discussão no diretório regional e apostando em um processo onde participam apenas a executiva estadual e algumas poucas lideranças regionais, caminhamos para repetir a candidatura do companheiro Jorge Roberto. Isso tem causado certo desconforto na militância, pois nas últimas eleições estaduais ficou comprovada a dificuldade de se realizar uma campanha com a cara do PDT devido às dificuldades do candidato em cumprir a agenda de atividades eleitorais. Por outro lado, no quesito ideológico foi uma campanha “morna” e “fria”, com o agravante de o candidato defender idéias que, no mínimo, não se coadunavam com o ideário partidário. Isso ocorreu na defesa da privatização da CEDAE e de uma visão sobre segurança pública profundamente conservadora.

Para complicar ainda mais a situação, as notícias que aparecem na imprensa e os boatos que correm entre os militantes são preocupantes. Muitos afirmam que para viabilizar eleitoreiramente sua candidatura o companheiro Jorge, ao invés de comparecer as reuniões do diretório regional, tem procurado costurar alianças - no mínimo esquizofrênicas - com o PP de Dorneles e o PFL de César Maia e ACM.

Confirmando-se esses boatos de articulações com partidos neoliberais, a candidatura de Jorge Roberto se deslegitima como uma candidatura comprometida com o ideário e o projeto histórico do partido. Mais do que isso: uma candidatura desnaturada de brizolismo como essa, não irá contribuir com o processo de reafirmação eleitoral do trabalhismo carioca e fluminense e apontará para a mesmice eleitoreira que levou o Brasil à falsa polarização neoliberal petucana.

O PDT carioca e fluminense tem que fazer a diferença com uma candidatura brizolista ao governo do Estado que se afirme programaticamente como uma alternativa à polarização do oportunismo eleitoreiro da “famiglia” garotinho e ao conservadorismo neoliberal, tecnocrático e personalista de César Maia do PFL e que utilize a campanha para denunciar a traição de Lula/PT e seus aliados.

Os "realistas", dentre os quais muitos que - em nome de uma "vitória" eleitoral para o governo, futuros cargos, secretarias, bancadas "significativas" na assembléia que logo se vão - defenderão essa aliança com o PFL, o PP e até mesmo o PSDB e outros partidos de sustentação do atual modelo econômico. Afirmarão que diante da situação política atual, uma candidatura e um programa com as características que apontamos têm poucas chances de vitória.

Realmente, a verdade pode ser uma péssima estratégia em uma perspectiva eleitoreira, mas é obrigação de um partido político sério dizer a verdade ao povo e o PDT nunca se furtou dessa obrigação. Além do mais, se a verdade só puder ser dita quando o povo estiver preparado, o povo nunca estará preparado, exatamente porque ninguém lhe diz a verdade.

Hoje em nosso estado existe uma profunda desesperança no seio do povo e esse vazio abre o espaço para o inesperado. Ocupemos esse vazio com uma nova esperança: uma candidatura brizolista que contribua efetivamente para a retomada do crescimento do PDT no estado do Rio de Janeiro e para um governo realmente compromissado em dar poder para o povo pobre de nosso estado.

Temos lideranças identificadas com essa perspectiva e com viabilidade eleitoral e não apenas eleitoreira. Companheiros como Paulo Ramos ou Carlos Lupi podem - e devem - encarar esse desafio garantindo que o PDT se destaque na frente eleitoral acumulando para a organização partidária e para o nosso projeto histórico.

Talvez esse não seja o caminho mais fácil, porém compactuar com as atuais oligarquias de nosso estado será apostar em nossa desmoralização política. Estaremos jogando na lata de lixo toda a credibilidade que o PDT vem construindo junto ao povo trabalhador de nosso estado e do Brasil como oposição pela esquerda ao governo neoliberal de Lula.

Compatriotas, em um país e em um mundo em que reinam a corrupção e o engodo existe um crescente descrédito dos partidos políticos e da política em geral. É fundamental que nosso partido se apresente com um perfil ético claramente diferente.

Temos que encarnar nas ações cotidianas do partido os valores que dizemos defender. Nossa prática deve ser coerente com nosso discurso político. Esse será o atrativo para a juventude; para as mulheres; para os negros, os trabalhadores e os excluídos da cidade e do campo; para os pequenos e médios empresários e proprietários rurais; enfim, todos os que estão fartos de discursos que não correspondem aos fatos ou às ações.

Revolucionariamente,

Aurelio Fernandes

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